Por: Iara Machado
Este espaço é uma ponte para trocas discursivas, reflexões, divulgações de trabalhos terapêuticos e vivências transpessoais, comentários e orientações familiares. Um cantinho virtual para aproximar nossas leituras e releituras de valores, percepções e ressignificações. A PROPOSTA É SIMPLES E REVESTIDA DA VONTADE DE PARTILHAS DE EVENTOS E PORTAIS DE CURA QUE POSSAM CONTRIBUIR PARA NOSSAS JORNADAS PESSOAIS MAIS PROFUNDAS. BOA VIAGEM AO CORAÇÃO E A VERDADE DE CADA UM! ABRAÇOS DE PAZ!
sábado, 24 de setembro de 2011
A Flor de Um Jardim
De todos os que fazem o Departamento de Infância e Juventude da Federação Espírita Paraibana.
À Raiza, com imensa saudade!...
Lembrar de você é ter alegria
Falar sobre você é sentir o amor de Deus
Quem não lembra do seu caminhar?
Quem não se encantou com o seu sorriso?
Recordamos de você criança na Evangelização Espírita...
Lembramos de você adolescente nos encontros espíritas da Paraíba...
O carisma, a simpatia, a beleza, a amizade, a sinceridade, a firmeza!...
Com emoção, sua mãe comentava:
-“Raiza nunca esqueceu as aulas de Evangelização Espírita...”.
E com a autenticidade da sua personalidade, ao participar de um encontro de jovens de outro credo religioso, você dizia:
-“Respeite a minha fé!”.
Pensar em você é saber que estará, por um período, longe, mas dentro de nossos corações!
Orar por você é ter a certeza de que o nosso carinho chegará onde você estiver e de que em breve nos reencontraremos!
Cantar para você é irradiar a alegria juvenil que vibra em seu ser...
Menina criança...
Menina sorriso!
Menina moça...
Menina aprendiz!
Menina jovem...
Menina esperança!
Menina espírito, filha de Deus,
Herdeira do Universo infinito!!...
Você é a delicadeza que nos toca
A beleza que nos encanta
A amizade que nos acolhe
A saudade que nos envolve... e que será preenchida quando olharmos as estrelas e percebermos que você está entre elas...
Quando nos tocar a brisa e sentirmos a sua presença através dela...
Quando ouvirmos a chuva e lembrarmos da sua voz...
Quando sentirmos os espíritos de Deus e lembrarmos que eles velam e cuidam de você!...
Quando respirarmos o perfume das flores nos jardins e percebermos você, Raiza, a linda flor do jardim de nossas vidas!
Até breve, Raiza!
O EVANGELHO A LUZ DA PSICOLOGIA PROFUNDA
A vida e a obra de JESUS constituem o maior acervo psicológico para o entendimento da humanidade pregressa e contemporânea.
Suas atitudes diante do homem do mundo, reconhecendo a “verdade de cada um” descortinavam as múltiplas implicações do comportamento humano, desde o reflexo no corpo material até as nuanças da alma enferma ali aprisionada.
A Psicologia Profunda envolve os princípios de percepção do ser humano nos aspectos:
- Personalidade atual: aquisição de comportamentos sedimentados no “aqui e agora”.
- Sub-personalidades: registros subconscientes de existências passadas. Canal dos conúbios obsessivos espirituais.
- Individualidade: registros inconscientes do conjunto de aprendizagem do ser desde os primórdios até o contato com o reino hominal, na condição de espírito imortal.
As palavras de Jesus carregadas de ascensão espiritual e de um profundo conhecimento planetário são fagulhas de luz aclarando as trevas da ignorância na alma humana ainda recorrente nos enganos da vivência das soberanas leis de Deus.
Assim disse Jesus:
“Não penseis que eu tenha vindo destruir a lei ou os profetas.” (Mateus, cap. V, v.17)
Tendo vindo ensinar a humanidade o alfabeto divino, na letra “a” Jesus escreveu para nós a palavra AMOR enquanto uma lei natural, e por tanto divina.
O povo ainda mergulhado na lei do revide (olho por olho, dente por dente), nos textos impregnados da subjugação de um Deus tirano, que validava os instintos, alienados da luz interior e dominados pela sombra individual e coletiva. Chega Jesus e aproveita elementos do Decálogo, recebido por Moisés (no fenômeno mediúnico da escrita direta) para ativar um novo paradigma psíquico no homem, tendo em vista que este código auxiliou o homem a reaprender um caminho de conduta individual e coletiva.
O exercício inicial da terapêutica de Jesus foi então associar a inteligência ainda rudimentar do povo a sua condição de ser emocional, pois ele sabe que o caminho da cura da sombra humana é o contato lúcido com sua capacidade de sentir a si mesmo.
“O meu reino não é deste mundo.” (João, cap. XVIII, v.36)
À medida que a sombra coletiva começou a dissipar-se em razão do conhecimento adquirido pela humanidade no contexto histórico, a cisão entre céu e abismo, entre o espírito e a matéria começou a estreitar, em função do uso da lógica racional, para perceber o mundo. Daí, Jesus trazer a verdade do reino espiritual, e que estamos em estágio aqui, não somos da matéria, estamos provisoriamente nela para evoluir e alcançar outros reinos (conhecimento, evolução, sentimentos nobres).
“Há muitas moradas na casa de meu Pai.” (João, cap. XIV, v.2)
Neste momento, Jesus, revela à grandeza da criação de Deus situando a humanidade em um dos compartimentos da grande obra universal. Existem muitos mundos habitados, que a Doutrina Espírita esclarece com muita propriedade, há os mundos inferiores (primitivos), os mundos de provas e expiações (como a Terra) e os mundos felizes, celestes. A cada categoria de mundo há a categoria de espíritos que ali podem co-habitar.
Jesus neste momento nos fala de modo profundo as consciências espirituais infantis da misericórdia do Pai, proporcionando com infinita justiça e bondade possibilidades de crescimento sem agressões maiores a alma, pois que vivendo onde nossa condição espiritual pode suportar, temos maiores oportunidades de ascender, burilando o campo mental na compreensão do bem e do mal, aliviando os instintos primários, recebendo nem mais, nem menos, mas a dose certa para galgarmos um degrau na escala da evolução espiritual.
“Ninguém pode ver o reino de Deus, se não nascer de novo.” (João, cap. III, v. 3)
Incontestavelmente Jesus afirma a Lei da Reencarnação, a volta do espírito imortal as paragens carnais para o processo contínuo de aperfeiçoamento, numa das maiores provas da misericórdia de Deus para com a sua criatura.
Na prática da psicologia profunda de Jesus esta mensagem ainda encerra o reflexo dos diversos renascimentos que o homem faz numa única existência, quando passa os estágios biológicos da infância, adolescência, madureza e velhice, e suas aquisições no campo mental, emocional e fisiológico, podendo ser estas oportunidades excelentes para um processo de mudança de atitude e comportamento diante dos valores da vida.
Reconhecer nos ciclos da vida a mensagem natural do pedido de reencontro com a verdade do espírito, uma vez que o ancião deveria trazer em si a sabedoria de uma vida inteira, reconhecendo que a grande riqueza da alma é a possibilidade de ajudar o semelhante por amor, por escolha, por vontade, e fazê-lo com alegria, e entrega à Vida.
“Os sãos não precisam de médico, mas sim os enfermos.” (Mateus, cap. IX, v. 12)
Totalmente livre da sombra individual (débitos passados, comprometimentos com as leis universais) Jesus pode trazer esse verbo. Sinalizando o quanto a humanidade está desencontrada de sua verdade, como há uma desconexão profunda das nossas origens espirituais, e perdidos no turbilhão das ilusões de toda ordem nos tornamos enfermos senão refletidos objetivamente no corpo, impressos de modo inequívoco nos refolhos da alma.
Se colocando como servo da humanidade, Jesus diz que veio para auxiliar os doentes, como médium de Deus, nos convida à prática do amor aos inimigos; da prece por aqueles que nos perseguem; o bem para aqueles que nos caluniam; o perdão setenta vezes sete vezes de cada ofensa recebida; o pagar o mal com o bem sempre.
Só um Ser livre poderia prescrever tamanho receituário, somente um Ser que tem as portas do coração completamente abertas para o bem pode falar e vivenciar tamanho amor, acolhendo o sofrimento dos doentes e lhes lembrando: Tua fé te curou! Vá e não peques mais!
Só quem é completamente livre, não aprisiona, restabelece a saúde de outrem e o coloca a frente de sua vida para assumir a responsabilidade de sua alma, se este não “peca” mais está curado, se reincide “volta” para tomar nova medicação, só que dessa vez, menos ignorante das seqüelas que lhe acomete.
“Então, vai, diz Jesus, e faze o mesmo.” (Lucas, cap. X, v. 37)
Quem foi o próximo daquele que estava caído na margem da estrada!! Pergunta Jesus: Aquele que usou de misericórdia para com ele, responde o doutor da lei.
A psicologia profunda nos orienta nesta passagem a verificar o quanto o nosso ego está atuando em favor da nossa individualidade.
Olhar à volta e ajudar a outrem sem subterfúgios, sem interesses pessoais, sem ostentação: a verdadeira caridade seja ela moral ou material.
O convite ao exercício do amor, na sua forma mais genuína: o bem pelo bem!
“Vinde a mim todos vós que estais aflitos e sobrecarregados que eu vos aliviarei.” (Mateus, cap. XI, v. 28)
O grande médico das almas aqui fala do cultivo do amor, sustentado pela oração, como canal de irrigação da energia que procede de Deus e vitaliza a criatura humana.
A lucidez do “porque” (lei de causa e efeito, tão decantada pela doutrina espírita) ajuda a reconhecer o momento atual, tornado mais leve o fardo a ser carregado, uma vez que foi o próprio homem que ali o colocou, esse pensamento ajuda a aliviar e até a transmudar a energia da sombra, que albergamos, auxiliando-nos a integrar o lado trevoso da nossa individualidade, pois que jorrando lucidez sobre as trevas interiores, elas se dissiparão e se potencializarão em luz.
Feliz aquele que opta por experimentar o bem-estar no momento em que respira e entende as causas da dor momentânea que passa, e ante os desafios mais vigorosos e as situações mais inclementes, não desiste dos ideais de beleza, não cede espaço ao mal, não negocia com a “sombra”, e seguindo o Caminho, que é Jesus, para chegar a Deus, afirma a si mesmo:
Estou aliviado, porque confio no Mestre Jesus, e sei que jamais estarei órfão da assistência divina através das suas múltiplas faces, sendo uma delas, os espíritos superiores que assistem as nossas almas com maravilhosa dedicação amorosa.
Iara da Silva Machado
Fonte: Jesus e o evangelho à luz da psicologia profunda. Divaldo Pereira Franco/Joanna de Ângelis (Espírito)
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
A MELHOR ORAÇÃO É AMAR
Iara da Silva Machado
Muito se tem discutido e refletido sobre a condição do ser humano nos aspectos biológicos, psicológicos, sociológicos e espirituais.
Acompanhando clinicamente crianças e jovens há quase vinte anos, tenho verificado que as funções psicológicas superiores dessa juventude têm sido bombardeadas de informações virtuais, recursos interativos múltiplos, dentre outros atrativos musicais e produções áudio-visual incríveis, mas que a maturação emocional e a manifestação da afetividade têm estado em nível secundário, como que em “stand by”.
O tempo interno dedicado ao sentido de proximidade, trocas presenciais, brincadeiras reais tem sido menos prestigiado.
Certa criança me chamou atenção quando disse: “Minha mãe me ensinou a orar, e disse que é para eu rezar todos os dias antes de dormir, pedindo a Deus que nos proteja e nos faça feliz.”
Ouvindo esse relato simples e espontâneo perguntei o que ele sentia em atender a orientação da mãe, e ele respondeu sorrindo: “Está sendo o melhor momento do meu dia, porque nessa hora ela vem ficar comigo.”
Então, percebi que a orientação quanto à religiosidade que segundo vários teóricos, dentre eles os estudos de Griffa & Moreno (2001) é de base estruturante, foi à ferramenta neste caso, para a proximidade física dessa criança com a mãe. Ele estava a relatar sua alegria pela presença da mãe e não somente pelo ato subjetivo de “falar” com Deus.
Todos os recursos de progresso devem ser utilizados por nós como instrumentos de evolução, mas apesar dessas transformações em vários níveis sócio-culturais não convém abandonar a onda amorosa nas nossas convivências diárias, a troca de palavras simples, o “bom dia” ou “como você está se sentindo hoje?”, um afago, um carinho, um toque, refeições juntos à mesa (sem televisão por perto), e coisas assim: antigas e maravilhosas, que estabelecem o sentido da palavra e da vivência na família, senão poderemos correr o risco de perder a espinha dorsal das nossas habilidades humanas: o direito de nutrição da alma a partir dos sentimentos.
Então, compreendi que de fato a melhor oração é amar!
FATORES DE AUTO-ORGANIZAÇÃO & SAÚDE INTEGRAL
Por: Iara da Silva Machado
Nesta busca de unicidade do indivíduo em suas várias dimensões, muitos recursos e métodos têm se apresentado de modo eficiente nos tratamentos mente-corpo.
Ao reconhecer a doença como a dor esquecida em nós, como uma negação de um dos pólos, ela passa a representar um grito de socorro, para que possamos despertar e buscar o caminho de volta em direção a nossa própria inteireza.
Nesta perspectiva, a pesquisadora brasileira Míria de Amorim, médica pós-graduada e mestra em Homeopatia, criou o método FAO – Fatores de Auto-Organização dentro da Homeopatia.
Neste estudo o referencial teórico é a teoria holográfica, pois esse método terapêutico alinha-se a conceitos estabelecidos pela física quântica e pelos estudos matemáticos do genoma celular, até a confirmação deste mesmo traçado nos diversos modelos tradicionais, como a Medicina Ayurveda e a Medicina Tradicional Chinesa.
A dinâmica do FAO privilegia também a questão do coração, afirma a Míria de Amorim, pois os elementos centrais propõem um realinhamento da consciência respectivamente com o entendimento, à vontade e a esperança.
Assim, fazer conexões a partir de tratamentos médicos e psicológicos concomitantes, com os profissionais integrados, unificando competências; mostra uma releitura de paradigma, pois valida a multidisciplinaridade na facilitação da percepção do ser humano integral.
Nessa ótica dizia o médico e fundador da Vegetoterapia, Wilhelm Reich: “Amor, trabalho e sabedoria são fontes de nossa vida. Deviam também governá-la.”
Matéria publicada na coluna Conversa Aberta, do Conselho Regional de Psicologia (CRP13), no Jornal Correio da Paraíba, em 04 de abril de 2010.
quarta-feira, 21 de setembro de 2011
APRENDENDO COM OS FILHOS
Iara da Silva Machado
A arte de ser mãe e pai é desenvolver os filhos para que se tornem independentes e cidadãos do mundo, diz Içami Tiba, médico psiquiatra, psicoterapeuta e psicodramatista.
A arte de educar é um tema bastante potencializado nas literaturas em função de não existir uma receita funcional e global para ensinar os filhos a tornarem-se seres voltados para o bem.
A individualidade tem muitas vezes, predomínio sobre a personalidade, que está associada ao caráter e temperamento da pessoa. Esse campo da individualidade para a psicologia analítica profunda junguiana engloba muitos elementos obscuros à personalidade manifesta, sendo a identificação, compreensão e integração desses elementos ao campo global do indivíduo gerador da saúde integral.
Logo, os filhos podem trazer à tona traços negados dos pais, que precisam ser atualizados e tratados para que a constelação familiar que se formou possa permanecer funcional.
Esse conceito solicita uma reavaliação de paradigma nos valores de gerações passadas onde a autoridade parental era pouco discutida e bastante impositiva. Temos crianças e jovens contemporâneos que questionam muito mais sobre o porque, como, para que das coisas. Daí manter o nível de formação considerado saudável para cada dinâmica familiar, percebendo o novo filho como elemento agregador e não desafiador, é uma tarefa complexa.
Assimilar que os filhos podem objetivamente mudar o nosso olhar no mundo, e mexer com velhos conceitos, valores e crenças, reorganizando alguns pontos, mantendo a constância de outros, mas sem rigidez, permitindo que o fluxo das relações familiares não seja estagnado é um trabalho diário de pensar e sentir e fazer com congruência.
Naturalmente, haverá momentos em que colocaremos as mãos na cabeça ou no coração e nos perguntaremos: O que fazer? Nessa hora as coisas guardadas da nossa própria falibilidade convidarão a insegurança, medo, angústia, tristeza, culpa dentre outras energias do psiquismo a se apresentarem. E será então à hora do nosso teste de crescimento: se permitir agregar novas formas de olhar sem perder referências importantes e basilares ou fechar as portas internas e impor algo, por medo de perder o controle da situação.
A reflexão maior é que ao agirmos na manutenção da rigidez não perceberemos que em verdade não possuímos o controle do fluxo da vida, o que podemos fazer é acompanhá-lo, nos colocando conscientemente como observadores e colaboradores na senda da orientação e disponibilidade de compartilhamento.
Assim, os filhos se tornarão possibilidades múltiplas de reinventarmos o amor que pulsa no melhor de cada um de nós.
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