segunda-feira, 9 de julho de 2012

EMOÇÕES & QUALIDADE DE VIDA


Iara da Silva Machado

Vive-se um momento planetário onde a busca da qualidade de vida é foco de inúmeras discussões sobre saúde humana.
Parar para escutar no interior de cada ser o que é qualidade de vida para si, pode ser útil para demarcar prioridades nos diversos contextos onde está inserido desde o pessoal doméstico familiar até o social mais secundário e pouco rotineiro.
É interessante que comece pelo ambiente familiar, perguntando-se: Qual a emoção predominante no ambiente íntimo? Como é o relacionamento com os parentes mais próximos no dia a dia?
Quando a energia emocional predominante e individual está consciente poder-se-á fazer escolhas de mantê-la, modificar parcialmente ou investir esforço pessoal para mudar bastante determinados padrões de conduta que causam danos e mal estar a si e aos demais na intimidade do lar. Por exemplo, se há a percepção de um padrão comportamental irritadiço ou apático, raivoso ou omisso, etc essas formas de lidar com os outros podem gerar desencontros; se é aceito que a conduta é constante e inadequada, a pessoa pode buscar meios de entender porque age frequentemente daquela maneira negativa consigo e com os demais e a partir daí melhorar a qualidade de relacionamentos proximais, refletindo naturalmente na qualidade de vida.
É mais fácil lidar com questões externas desagradáveis quando a pessoa está em paz consigo mesma, caso contrário, pode-se transferir para o ambiente de trabalho, nas relações sociais, as frustrações e insatisfações que se prolongam no âmbito doméstico familiar. Esses fenômenos comportamentais são denominados de projeções egoícas, que funcionam como energias psíquicas transferidas de um lugar primário para outro.
É dessa forma que inconscientemente pode-se projetar no colega de trabalho energias emocionais mal resolvidas com os parentes, prejudicando o desempenho e imagem da pessoa no ambiente profissional, pela má elaboração dos conteúdos pessoais que vazam a revelia para contextos indevidos.
Na atualidade o investimento no autoconhecimento das pessoas tem sido incentivado para além da saúde convencional organicista, através de programas de ações sociais e humanitários, instituições religiosas e educação da Alma, movimentos holísticos, ONGs com visões integrais, dentre outros que priorizam o reconhecimento do ser humano como um “grande” agente modificador da natureza.
Assim quanto mais consciente tiver a pessoa da sua potencialidade de humanização, mais ela poderá cuidar de Si e auxiliar o despertar de outros, no intuito de qualificar não só a sua existência, mas também reconhecer que tudo e todos são interligados por teias poderosas de possibilidades de vivência da amorosidade.
A medida que as pessoas validarem a sincronicidade dos pensamentos, sentimentos e ações como portas de contato para a integralidade do Ser; maiores as probabilidades de pacificação das manifestações emocionais, favorecendo nos diversos contextos uma qualidade de vida com possibilidades mais harmônicas.


domingo, 10 de junho de 2012

RELAÇÕES AFETIVAS


Iara da Silva Machado

Quando se fala de relações afetivas é comum pensar-se nas trocas emocionais que experimentam as famílias, os amigos, colegas e conhecidos, estabelecendo um grau de proximidade ou afastamento dessas pessoas no cotidiano.

Daí, a classificação em relações “íntimas” ou “sociais”, logo as relações afetivas são aquelas que envolvem afeto, ou seja, emoções e sentimentos positivos ou negativos, em maior ou menor intensidade.

É adequado afirmar-se que construímos relações afetivas ao longo da vida em todos os contextos nos quais transitamos, porém são nos lares que essas relações se expressam de modo mais intenso, devido a proximidade diária e reconhecimento das fragilidades e potencialidades manifestas por cada um.

Eckhart Tolle em seu livro Praticando o poder do AGORA, afirma que “o verdadeiro amor não tem oposto”. Quando reflete que não se pode afirmar que se ama uma pessoa num momento, e no instante seguinte agredir essa mesma pessoa. Argumenta que quando esse comportamento acontece, não é a manifestação do amor que está presente na relação e sim uma compensação do ego, que provisoriamente encontra na outra pessoa uma possibilidade de “preenchimento”, só que, como não é legítima, a diluição disso pode gerar níveis altos de frustração e daí o ato inadequado.

Ora, o ser humano busca satisfação, bem estar e sentido existencial. Como ainda não descobriu a potencialidade em “si mesmo” acredita-se que os outros são responsáveis pela felicidade almejada, portanto, também da felicidade que não chega.

Assim, o desafio que aguarda a todos é a internalização de que cada um é responsável pelo seu próprio bem estar e que as pessoas a nossa volta são companheiros (as) de viagem, na busca de suas próprias verdades e realizações, e que poderemos até sonhar juntos, sonhos possíveis e trabalharmos para alcança-los, mas não podemos, nem devemos depositar no outro a obrigatoriedade de que esses sonhos se concretizem, pois corre-se um grande risco desse projeto naufragar e a pessoa alimentar a imensa ilusão de que a culpabilidade do insucesso é do outro; terceirizando equivocadamente a responsabilidade que é antes de tudo do si mesmo, pela escolha que fez de está ali, naquela situação, naquele exercício, naquele compromisso, naquele lugar...

Relações afetivas não deveriam ser prisões emocionais, e sim um grande laboratório de trocas humanas, de expressões genuínas, de “falas do coração”, de verdades pessoais sem medo de assumir “sentimentos negativos e emoções menos dignas”. As vivências afetivas poderiam ser momentos de fé na vida e celebração da existência, com todas as lágrimas que precisam ser drenadas e também com todos os sorrisos que precisam ser vividos.

Uma verdade perene é a transitoriedade da vida e a impermanência de tudo que é manifesto, a fluidez do estado de coisas é algo indomável para o ser humano, como se a própria natureza estivesse a dizer que realmente só temos o AGORA para usufruir, logo, poderemos escolher vive-lo com o máximo de qualidade positiva e no fluxo da energia do amor, que gera saúde integral para o ser, porque é a matriz do viver.

Assim, as relações afetivas são as nossas oportunidades de deixar florescer em nosso próprio ser o melhor de cada um que compartilhar conosco um quanto dos seus corações e de doar para esses a boa parte da nossa essência, semeando o perdão, o amor, a fé e a gratidão. 

quarta-feira, 9 de maio de 2012

MÃE


IARA DA SILVA MACHADO

Não nasci ainda; aprovisionem-me com água que me embale, ervas que brotem para mim, árvores que conversem comigo, céu que cante para mim, pássaros e uma luz branca no fundo da minha mente para me guiar.
Louis MacNeice, Prayer Before Birth

Na Grécia antiga Deméter era a Deusa Mãe proeminente e tinha a função especializada de presidir sobre todas as formas de reprodução e renovação da vida, especialmente da vida vegetal. Figura complexa e bem elaborada, historicamente ela se situa entre os antigos cultos neolíticos da Grande Mãe – que floresceram na Suméria, na Ásia Menor, no Egito e na ilha de Creta entre aproximadamente 4000 e 1000 a.C – e a era cristã no Ocidente, preservando muitas das características desses cultos anteriores; ela é a deusa da fecundidade, da fertilidade e da regeneração; possui uma identidade mística com sua irmã sombria do mundo avernal, a Rainha dos Mortos; dá a luz um Filho Divino, que permanece como seu jovem consorte em vez de transformar-se em marido ou em alguém de igual maturidade.
O símbolo principal de Deméter era o feixe de trigo e em seus mistérios em Elêusis, uma única espiga de milho. Os simbolismos da flor, do fruto e da semente, que a transforma, verdadeiramente em Nossa Senhora das Plantas. Seu animal sagrado terrestre era o porco, que costumava ser um sacrifício de fertilidade em todo o mundo por causa de seus múltiplos úteros; seu animal sagrado marinho era o golfinho.
O santuário de Deméter em Elêusis, onde seus mistérios eram celebrados, permaneceu ativo durante quase dois mil anos.
Deméter era a Grande Mãe e o mundo inteiro era a sua Criança. O evento essencial nas religiões agrárias era o Matrimônio Sagrado, no qual a sacerdotisa periodicamente entrava em comunhão com o reino dos espíritos no interior da terra para renovar o ano agrícola e a vida civilizada que florescia sobre a terra. Seu consorte era um espírito vegetativo, ao mesmo tempo o seu filho que brotara da terra e o parceiro que iria raptá-la para outro reino, um reino que seria fecundado quando ele, ao morrer, a possuísse. A solução final para a perda de Deméter era tornar sadio o universo no qual a morte se introduzira admitindo-se também a possibilidade de um retorno à vida. O renascimento após a morte era o segredo de Elêusis. No Hades, Perséfone, como a própria terra, toma uma semente em seu corpo e desse modo retorna eternamente a sua extática mãe com o seu novo filho – apenas para morrer eternamente em seu abraço fecundante.
Quando falamos de Deméter conforme era imaginada pelos gregos, deveríamos na realidade falar de duas deusas, não uma. O cerne do mito e do culto a Deméter, era o fato de ela ter perdido sua filha adorada, Coré (significando “donzela” em grego), pranteada por ela, e por fim, reunindo-se novamente a ela. Todas as imagens e pinturas em vasos que chegaram até nossos dias mostram duas mulheres maduras: Deméter e Coré juntas, segurando feixes ou espigas de trigo, flores ou archotes. A intimidade entre mãe e filha ressalta o caráter profundamente feminino dessa religião e constelação mitológica.
Embora Deméter não seja em rigor uma Mãe Terra, pois este título pertence a sua avó, Gaia ou Ge, cujo nome significa “terra”, o seu mito e culto dizem respeito ao que acontece em cima e embaixo da terra. Ela e a filha simbolizam os ciclos dinâmicos da natureza que ocorrem no interior do corpo da terra e, em decorrência do princípio místico de correspondência, também no interior do corpo de toda mulher. (Woolger, Jennifer; Woolger, Roger J. - A Deusa Interior, 2007).
Fazer uma alusão ao mito grego de Deméter é uma forma de perceber como na sociedade pós moderna a relação mãe e filho(a) em níveis saudáveis de manifestação reflete essa cumplicidade amorosa e a intimidade do reconhecimento do divino apresentado a mulher através da face do exercício da maternidade.
Parabenizo a todas as MÃES que foram, que são, que virão a Ser.
Em especial AGRADEÇO a minha mãe Eliete que teve a coragem moral e afetiva de disponibilizar seu ventre oito vezes para gerar crianças e co-criar com DEUS!