terça-feira, 11 de outubro de 2011

Iara da Silva Machado. CRP13/2262
Psicóloga Clínica Especialista
Psicóloga Transpessoal
Psicoterapeuta em Análise Bioenergética
Terapeuta em DMP – Deep Memory Process
A DOENÇA É UM ESTADO DO SER HUMANO QUE INDICA QUE, NA SUA CONSCIÊNCIA, ELA NÃO ESTÁ MAIS EM ORDEM, OU SEJA, SUA CONSCIÊNCIA REGISTRA QUE NÃO HÁ HARMONIA. ESSA PERDA DE EQUILÍBRIO INTERIOR SE MANIFESTA NO CORPO COMO UM SINTOMA.
O SINTOMA É UM SINAL E UM TRANSMISSOR DE INFORMAÇÃO, POIS COM SEU APARECIMENTO, ELE INTERROMPE O FLUXO DA NOSSA VIDA E NOS OBRIGA A PRESTAR-LHE ATENÇÃO.
 DOENÇA PSICOSSOMÁTICA: PERDA RELATIVA DA HARMONIA, A PARTIR DA CONSCIÊNCIA EM DESEQUILÍBRIO, E DAÍ TORNANDO-SE VISÍVEL E PALPÁVEL NA FORMA DE SINTOMAS CORPORAIS.
NÃO DEVEMOS LUTAR CONTRA A DOENÇA E SIM TRANSMUTAR A DOENÇA, UMA VEZ QUE ELA NÃO É UMA PERTURBAÇÃO ESSENCIAL OU DESAGRADÁVEL DESVIO DO CAMINHO, PELO CONTRÁRIO, A PRÓPRIA DOENÇA É O CAMINHO PELO QUAL O SER HUMANO PODE SEGUIR RUMO À CURA.
QUANTO MAIOR A CONSCIÊNCIA COM QUE ENFRENTARMOS O CAMINHO DA DOENÇA, TANTO MELHOR SE CUMPRIRÃO SEUS OBJETIVOS DE DESPERTAR A NOSSA CONSCIÊNCIA SOBRE O QUE CAUSOU EFETIVAMENTE A CISÃO ENTRE AS POLARIDADES DO SI MESMO.
Hemisfério Esquerdo Cerebral: Refere-se ao sol e as energias: Yang – lógica – linguagem (síntaxe, gramática) – hemisfério verbal: leitura, escrita, cálculos, contagem, pensamento digital, pensamento linear, dependência do tempo, análise, inteligência. YANG: positivo – sol – masculino – dia – consciente – vida. ESQUERDO: atividade – eletricidade – ácido – lado direito do corpo – mão direita.
Hemisfério Direito Cerebral: Refere-se à lua e as energias: Yin – Percepção da forma – Percepção da totalidade – Sensação do espaço – Formas arcaicas de linguagem, música, olfato, padrão total, visão abrangente do mundo, pensamento analógico, simbolismo, atemporalidade, holismo, conceitos lógicos, intuição. YIN: Negativo, Lua, Feminino, Noite, Inconsciente, Morte. DIREITO: passividade, magnetismo, alcalino, lado esquerdo do corpo, mão esquerda.

FONTE: LIVRO - A DOENÇA COMO CAMINHO. THORWALD DETHLEFSEN (PSICÓLOGO) E RÜDIGER DAHLKE (MÉDICO E PSICOTERAPEUTA).

QUEM COMBATER QUALQUER UM DOS PÓLOS DESTE UNIVERSO LUTA CONTRA O TODO, POIS CADA PARTE CONTÉM O TODO. NESTE SENTIDO, DISSE JESUS: “O QUE FIZERES CONTRA O MENOR DOS MEUS IRMÃOS, TU O FARÁS A MIM!”

O INTER-RELACIONAMENTO ENTRE O TEMPO, A REALIDADE DOS FATOS E O ESQUECIMENTO DESSES ACONTECIMENTOS (FATOS) CARACTERIZA A BASE DA TERAPIA DA REENCARNAÇÃO.
SOMBRA: SOMA DE TODOS OS ÂMBITOS REJEITADOS DA REALIDADE QUE O HOMEM NÃO QUER VER EM SI MESMO OU NOS OUTROS E QUE, POR ISSO MESMO, PERMANECEM INCONSCIENTES. (CARL GUSTAV JUNG).
A LEI DA RESSONÂNCIA AFIRMA QUE SOMENTE PODEMOS ENTRAR EM CONTATO COM AQUILO QUE NÓS MESMOS VIBRAMOS. ASSIM, O MUNDO EXTERIOR (CORPO, SOMA, TERRA) FUNDAMENTA-SE NOS MESMOS PRINCÍPIOS ARQUETÍPICOS DO MUNDO INTERIOR (ALMA, PSIQUE, SOMBRA, SELF, GAIA).
QUESTIONANDO O SINTOMA:

  • INFECÇÃO – UM CONFLITO QUE SE MATERIALIZOU: QUE CONFLITOS EXISTEM NA MINHA VIDA QUE ATÉ AGORA NÃO VEJO? QUE CONFLITO ESTAREI EVITANDO? QUE CONFLITO TENTO FINGIR QUE NÃO EXISTE?
  • ALERGIA – UMA AGRESSIVIDADE QUE SE MATERIALIZOU: POR QUE NÃO SUPORTO TOMAR CONSCIÊNCIA DA MINHA AGRESSIVIDADE E A TRANSFIRO PARA A MANIFESTAÇÃO CORPORAL? QUAIS ÂMBITOS DA VIDA ME INSPIRAM TANTO MEDO QUE PROCURO EVITÁ-LOS? ATÉ QUE PONTO USO A MINHA ALERGIA PARA MANIPULAR O MEIO AMBIENTE? COMO ENCARO O AMOR, QUAL A MINHA CAPACIDADE DE AMAR?
  • RESPIRAÇÃO – ASSIMILAÇÃO DA VIDA: O QUE ME FAZ SENTIR FALTA DE AR? O QUE ME RECUSO A ACEITAR? O QUE ESTOU EVITANDO DAR? COM O QUE NÃO DESEJO ENTRAR EM CONTATO? ACASO TEREI MEDO DE DAR O PASSO PARA UMA NOVA LIBERDADE?
    ASMA – EM QUE ÂMBITO DA VIDA QUERO RECEBER SEM DAR NADA EM TROCA? COMO LIDO COM O CONFLITO ENTRE A VONTADE DE DOMINAR E A SENSAÇÃO DE INFERIORIDADE?
             * (QUANDO SENTIMOS LIMITAÇÃO, ESTAMOS DE FATO NO MEDO).
    • MALES ESTOMACAIS E DIGESTIVOS: O QUE NÃO POSSO OU NÃO QUERO ENGOLIR? ALGO ESTÁ ME ROENDO POR DENTRO? O QUE ME DEIXA TÃO AZEDO?
    • DOENÇAS HEPÁTICAS: EM QUE ÂMBITOS PERDI A CAPACIDADE DE FAZER UMA AVALIAÇÃO E UMA DISCRIMINAÇÃO CORRETA? ONDE É QUE NÃO CONSIGO MAIS DECIDIR ENTRE AQUILO QUE POSSO SUPORTAR E AQUILO QUE É UM “VENENO” PARA MIM? CONFIO NOS OUTROS? EM QUE SENTIDO ANDO COMETENDO EXCESSOS?
    • DOENÇA DOS OLHOS: O QUE NÃO DESEJO VER? DEIXO DE VER A MIM MESMO NOS ACONTECIMENTOS? POSSO SUPORTAR, AFINAL, VER AS COISAS COMO ELAS SÃO?
    • DOENÇAS DOS OUVIDOS: A QUEM OU A QUE NÃO DESEJO OBEDECER? POR QUE NÃO ESTOU DISPOSTO A PRESTAR ATENÇÃO AO QUE OS OUTROS DIZEM?
    • DORES DE CABEÇA: COM QUE ESTOU “QUEBRANDO A MINHA CABEÇA”? TENTO SUBSTITUIR AÇÃO POR PENSAMENTO? POR QUE TRANSFIRO ORGASMO PARA A CABEÇA?

    • DOENÇAS DE PELE: ACASO ESTAREI ME ISOLANDO DEMAIS? QUAL A MINHA CAPACIDADE DE ESTABELECER CONTATO? POR TRÁS DA MINHA ATITUDE DEFENSIVA NÃO HAVERÁ UM DESEJO DE INTIMIDADE?

    • DOENÇAS RENAIS: QUAIS PROBLEMAS ME AFLIGEM NO ÂMBITO CONJUGAL? DEIXO DE VER A MIM MESMO NO MODO COMO O MEU PARCEIRO(A) SE COMPORTA? ANDO ME APEGANDO A VELHOS PROBLEMAS E, DESTE MODO, INTERROMPENDO O FLUXO DO MEU PRÓPRIO DESENVOLVIMENTO?
    • OS MALES DA BEXIGA: A QUE ÂMBITOS ME APEGO, EMBORA ULTRAPASSADOS, E SÓ À ESPERA DE SEREM ELIMINADOS? EM QUE PONTO ME COLOCO SOB PRESSÃO E A PROJETO PARA OS OUTROS (EXAMES, CHEFES)? POR QUE CHORO?
    • DOENÇAS CARDÍACAS: HÁ EQUILÍBRIO ENTRE MEU CORAÇÃO E MINHA CABEÇA; ENTRE A COMPREENSÃO E O SENTIMENTO; ELES ESTÃO EM HARMONIA? VIVO E AMO DE TODO CORAÇÃO OU APENAS PARTICIPO, SEM GRANDE ENTUSIASMO? TENHO ESCUTADO A VOZ DO MEU CORAÇÃO?
    • DOENÇAS DE ARTICULAÇÕES: ONDE E QUANDO ME ENRIJECI? DIANTE DE QUE EU ME ENDURECI?
    • ONICOFAGIA (ROER AS UNHAS): SIGNIFICA CASTRAR A PRÓPRIA AGRESSIVIDADE, DAÍ PASSO A “MASTIGAR” MINHA PRÓPRIA AGRESSIVIDADE.
    • FRATURA: NO ÂMBITO PSIQUÍCO A PESSOA SE AFERROU EM DEMASIA A UMA NORMA SEM SE DAR CONTA DO FATO.
    • DEPRESSÃO: ENVOLVE O MEDO DE ASSUMIR AGRESSIVIDADE E RESPONSABILIDADE DIANTE DA VIDA. DE TAL MODO QUE A PESSOA DEPRIMIDA TEM TANTO MEDO DE VIVER COMO DE MORRER.
    • DISTÚRBIOS DO SONO:(INSÔNIA; SONO INTERROMPIDO, ETC) ATÉ QUE PONTO DEPENDO DO PODER, DO CONTROLE, DO INTELECTO E DA OBSERVAÇÃO? ACASO POSSO ME DESAPEGAR? ACASO ME PREOCUPO COM O LADO SOMBRIO DA MINHA ALMA?
    NECESSIDADE DE DORMIR DEMAIS SUSCINTA: ANDO FUGINDO DA ATIVIDADE, RESPONSABILIDADE, CONSCIENTIZAÇÃO?
    VIVO NUM MUNDO QUIMÉRICO E TENHO MEDO DE ACORDAR PARA A REALIDADE DA VIDA?

    • CÂNCER: É O SINTOMA DO AMOR MALCOMPREENDIDO; É O AMOR NUM NÍVEL EQUIVOCADO. O CÂNCER REPRESENTA UMA GRANDE OPORTUNIDADE PARA DESCOBRIRMOS NOSSOS PRÓPRIOS ERROS DE PESAMENTO E ENGANOS.
    • AIDS: É UM LEMBRETE DA NOSSA DEPENDÊNCIA UNS DOS OUTROS. É A “DOENÇA DO AMOR” OU O “AMOR DOENTIO”. O AMOR AQUI É AQUELA INSTÂNCIA ÚNICA QUE ESTÁ NA POSIÇÃO DE ULTRAPASSAR A POLARIDADE E UNIR OS OPOSTOS.
    • PROBLEMAS MENSTRUAIS: DIFICULDADE NA EXPRESSÃO DA FEMINILIDADE, FECUNDIDADE (A MENSTRUAÇÃO É UMA PEQUENA GRAVIDEZ E UM PEQUENO “NASCIMENTO”) E RECEPTIVIDADE. AGREGA “COMPLEXO DE INFERIORIDADE” EM RELAÇÃO AO MASCULINO (YANG).
    QUANDO ENCONTRAMOS NOSSA PRÓPRIA LEI INTERIOR, ESTA NOS LIVRA DE TODAS AS OUTRAS. A LEI MAIS INTERIOR DE CADA UMA DAS PESSOAS É A OBRIGAÇÃO DE DESCOBRIR O SEU VERDADEIRO CENTRO, O SEU SI-MESMO, E DE CONCRETIZÁ-LO, OU SEJA, TORNAR-SE UNO COM TUDO O QUE EXISTE. A FERRAMENTA ESSENCIAL PARA UNIR OS OPOSTOS CHAMA-SE AMOR.
    AMAI OS VOSSOS INIMIGOS, FAZEI O BEM A QUEM VOS ODEIA E ORAI POR AQUELES QUE VOS PERSEGUE E CALUNIA.

    AMAI-VOS UNS AOS OUTROS COMO EU VOS AMO.
    JESUS

    TAO-te KING
     
    SE TODOS NA TERRA RECONHECEREM A BELEZA COMO BELA,
    DESTA FORMA JÁ SE PRESSUPÕE A FEIÚRA.
    SE TODOS NA TERRA RECONHECEREM O BEM COMO O BEM,
    DESTE MODO JÁ SE PRESSUPÕE O MAL.
    PORQUE SER E NÃO-SER GERAM-SE MUTUAMENTE.
    O FÁCIL E O DIFÍCIL SE COMPLEMENTAM.
    O LONGE E O CURTO SE DEFINEM UM AO OUTRO.
    O ALTO E O BAIXO CONVIVEM UM COM O OUTRO.
    A VOZ E O SOM CASAM-SE UM COM O OUTRO.
    O ANTES E O DEPOIS SE SEGUEM MUTUAMENTE.
    ASSIM TAMBÉM O SÁBIO;
    PERMANECE NA AÇÃO SEM AGIR,
    ENSINA SEM NADA DIZER.
    A TODOS OS SERES QUE O PROCURAM
    ELE NÃO SE NEGA.
    ELE CRIA, E AINDA ASSIM NADA TEM.
    AGE E NÃO GUARDA COISA ALGUMA.
    REALIZANDO A OBRA,
    NÃO SE APEGA A ELA.
    E, JUSTAMENTE POR NÃO SE APEGAR,
    NÃO É ABANDONADO.

    LAO-TSÉ

    terça-feira, 4 de outubro de 2011

    O CIÚME NA ÓTICA ESPÍRITA

    Por: Iara da Silva Machado

    I - Psicogênese do ciúme.
    O Espírito imaturo não consegue desenvolver em profundidade a auto-estima, permanecendo em deplorável situação de infância psicológica.
    A imaturidade psicológica das relações que se estabelecem nessas bases fomenta desconfianças, fazendo com que o indivíduo fique preso ao período do pensamento mítico, no qual as fantasias exercem predomínio na conduta psíquica.
    Na etiologia pode-se ter uma pessoa proveniente de uma infância na qual escamoteou a verdade e disfarçou as próprias necessidades por medo de punição ou de incompreensão dos demais e atingiu a idade adulta sem as libertações das inseguranças juvenis. Encontram-se nesses padrões aqueles que se posicionam como “vitimas do mundo” ou os “bonzinhos em excesso”.
    A imaginação dessas criaturas é atormentada. O ciúme tem raízes, portanto, no egotismo exagerado, que somente pode ser superado mediante o trabalho de autodisciplina e de entrega pessoal.

    II – Terapêutica Inicial.
    A terapêutica consiste em trabalhar a emoção, reflexionar em torno dos sentimentos próprios e do próximo para a aquisição da confiança em si mesmo e nos outros.

     III – Os Comportamentos Doentios.
     O anelo pelo amor, porém a recusa desse amor pelo receio de ser traído ou enganado.

    IV – Visão Psicológica.
    Na Psicologia temos o Freud falando do desenvolvimento psicossexual, através dos estágios oral, anal, fálico e genital, onde o ser humano se direciona para o prazer, porém na passagem de um para outro estágio temos os conflitos e frustrações, em razão de as outras formas anteriores de satisfações (prazer) serem negadas. Karen Horney fala de um tipo de ansiedade fundamental, onde a busca neurótica por amor, acaba tendo prevalência nos comportamentos ansiosos.
    A armadilha psíquica neurótica do ciumento consiste que numa mínima insatisfação há o reportar-se a recusa do afeto positivo, daí sentindo-se rejeitado, estabelece o aumenta da ansiedade, o que o torna afadigado pela busca do afeto, ampliando as possibilidades de repulsa e assim movimentando o círculo vicioso. Esse circuito retroalimenta um triângulo imaginário (traição). Na raiz de muitos crimes na área da afetividade doentia, destaca-se o ciúme como fator primário da possessividade.
    Não apenas na área da afetividade entre parceiros o ciúme é tormento da alma, como também em qualquer contato interpessoal, social e profissional. O ciúme estimula a inveja e ambos trabalham em comum acordo para anular a ação daquele que lhes inspira o sentimento negativo.
    Inegavelmente a convivência com o paciente ciumento é martirizante, especialmente quando se recusa ao tratamento libertador.

    V – Terapêutica Profunda.
    1 - A Terapêutica da Bondade.
    2 - Psicoterapia Especializada.
    3 - O Trabalho na Caridade.
    4 - O Amorterapia é elemento fundamental para o tratamento dessa patologia da alma.
    5 - A Oração e a Esperança que favorecem o alimento necessário para aqueles que perseveram no compromisso de redenção do ser imortal.



    Fonte: Conflitos Existenciais. Divaldo Pereira Franco – Joanna de Ângelis (Espírito). Ed. Leal. (Texto adaptado por Iara Machado)

    sexta-feira, 30 de setembro de 2011

    DÍADE: MÃE E FILHO PORTADOR DE NECESSIDADES EDUCATIVAS ESPECIAIS

    Iara da Silva Machado*
    É denominada díade o período que vai da fecundação até os 3 anos de vida; corresponde a “era da mãe”, da díade mãe-filho, que se caracteriza por fortes laços afetivos e uma certa distância e isolamento do meio circundante (Griffa & Moreno, 2001). Existem muitas abordagens que interpretam esta relação dual, dentre elas a que afirma através de pesquisas, que a privação do bebê do contato materno ou de substitutos adequados gera quadros clínicos de ‘privação emocional parcial ou depressão anaclítica’ e ‘privação emocional total ou marasmo emocional’.
    O quadro de privação emocional parcial estabelece-se quando os bebês têm um bom vínculo materno até por volta do sexto mês, e ficam privados dele por cerca de três meses; o quadro de privação emocional total dá-se quando os bebês são privados do convívio materno nos primeiros meses de vida por período maior do que cinco meses, independente do mal ou bom relacionamento materno anterior.
    Muitas vezes, esquecidos que a mãe de hoje foi filha ontem, e não há como apagar os registros bons e maus dessa vivência, e que no ato da maternidade existe o momento de atualização do Ser nos campos tanto do potencial hereditário, quanto dos aspectos afetivos, emocionais, psíquicos, pessoais, sociais e ambientais, portanto Winnicott (2002) considera conveniente usar a expressão do tipo ‘ mãe suficientemente boa’ para transmitir uma concepção não idealizada da função materna. Quando o foco é o bebê encontra-se uma visão oposta ao campo materno que é a valorização total da inaptidão deste para lidar com a vida, ele não possui nada de experiência ou vivência anterior, não tem condições de organizar um pensamento e expressar o seu desejo oralmente, de caminhar, de alimentar-se, vestir-se, conduzir-se, enfim é aquilo que Winnicott (2002) ainda chamará apropriadamente de um ser portador de dependência absoluta, pois este possui uma condição de dependência total em relação ao meio.
    Ainda para Navarro (1984) o stress na vida embrionária atinge os genes. Na vida fetal, através da mediação da mãe, o stress atinge principalmente a pele, o aparelho auditivo e circulatório. O feto pode ter uma simpaticotonia (resposta autônoma) induzida pela mãe. O recém-nascido está sempre exposto ao stress que atinge os cinco sentidos: tato, visão, audição, olfato e paladar.
    Miller (1995) apresenta no viver e crescer com crianças que têm necessidades educativas especiais uma visão enriquecida dos filhos, reconhecendo que ninguém é perfeito descreve a partir da díade mãe-filho quatro fases de adaptação da realidade objetiva de se ter no lar uma criança com deficiência sensorial ou mental, na elaboração do luto do filho ‘perfeito’. Essas fases são denominadas de:
    • Sobrevivência: quando se observa que algo saiu do controle, e que a partir desse fato inusitado deve-se reagir e enfrentar o porvir. Os sentimentos nesta fase incluem o medo, a confusão, a culpa e a vergonha.
    • Busca: consiste em procurar um diagnóstico e serviços de saúde, seguidos de uma série de questionamentos como: Por quê? O que isso significa na minha vida?
    • Ajustamento: é uma mudança de atitude frente ao processo do viver. A mãe passa a reconhecer que a sua vida também inclui os outros filhos (se houver), o companheiro, a parentela, o trabalho (talvez) e os amigos. É uma etapa que mostra a mãe sua capacidade de desenvolver novas habilidades para lidar com o filho portador de necessidades educativas especiais.
    • Separação: é a crença paulatina na possibilidade de ir-se ‘soltando’ o filho, para que ele possa desenvolver suas próprias habilidades e potencialidades. Afinal, o nascimento é o primeiro marco de uma grande viagem para a separação/independência. Vive-la junto a uma criança especial é um desafio enorme para os pais, porque o que para uma criança ‘normal’ é um fato extremamente previsível e banal, como por exemplo, o ato de calçar uma meia ou pronunciar a palavra mamãe, para uma criança portadora de limitação mental ou surda isso será um desafio vencido, aplaudido e avalizado pela mãe e pai como uma vitória.
    Lowen (1985) afirma que o prazer é uma resposta corporal. A capacidade para o prazer é uma função da vitalidade do corpo, ou seja, de quão vibrantemente vivo está o corpo.
    Quando se fala da díade mãe-filho a ligação corporal é primária, reconhecer a importância da vinculação dos corpos é reflexo dos processos anteriores estruturados, ou seja, o corpo inscreve e reflete o que se passou no campo dos pensamentos/impressões e sentimentos/emoções, e esta qualidade permeará o Ser por toda a vida.
    Reconhecendo os trabalhos das terapêuticas corporais cremos neles enquanto caminhos para a educação da pessoa portadora de necessidades especiais, no campo da afetividade expressa pelo corpo, naquilo que descrevemos como linguagem corporal afetiva.
    Existem possibilidades criativas de se vivenciar essa relação proximal, para fins de uma estruturação emocional pautada nas impressões sensoriais. A capacidade de tocar e transmitir pelo calor e pela suavidade o quanto o outro é significante para nós imprimindo pelo tato a aceitação da identidade corporal; o olhar para o outro enternecido alimenta o globo ocular de energia calorosa e amorosa ajudando este a espelhar a alma.
    Lowen (1982) diz: que para se alcançar um nível de integração real consigo mesmo o homem deve começar sendo o próprio corpo, e deve finalizar sendo a palavra, mas a palavra deve vir do coração.
    Ora, qual é a linguagem do coração, senão o afeto?!
     
    *Trechos da monografia de pós-graduação apresentada por Iara da Silva Machado em 2004, na Faculdade de Ciências Sociais e Aplicadas, sob o título original: Desenvolvimento Social e a Linguagem Corporal Afetiva na Criança Portadora de Surdez.